ENTENDENDO AS DIFERENÇAS - OPINIÃO DE PAULO FREIRE

Os benefícios culturais oferecidos pela sociedade influenciam de maneira determinante os processos de aprendizagem. Por isso, o contato com esses recursos deve ser permitido a todos, sem exceção. Promover os acessos aos benefícios culturais aos portadores de necessidades especiais, por exemplo, é uma maneira concreta de neutralizar barreiras, inserindo-os, portanto, nos ambientes ricos para a aprendizagem.
Quando diminuídas, essas “diferenças” são vistas como as peculiaridades típicas de todos os seres humanos. Esse estudante pode, então, dar passos maiores para eliminar a discriminação, conseqüência do respeito conquistado pela convivência, aumentando, assim, sua auto-estima.
Com muita freqüência, a criança portadora de deficiência-física, mental ou sensorial-por suas próprias limitações motoras e/ou sociais, agravadas por um tratamento paternalista não-valorizador de suas potencialidades, cresce pouco interagindo com o meio e a realidade que a cerca. Se não for adequadamente estimulada, ela age passivamente diante da realidade e para selecionar seus problemas diários. Se, segundo Piaget, as crianças são construtoras do próprio conhecimento;quando portadoras de deficiência,essa construção pode ser limitada pela restrita interação que elas têm com o seu ambiente,pois,como afirma Papert,é nessa interação que,por meio da ação física ou mental do indivíduo,criam-se as condições para a construção do conhecimento.Quando essas crianças com necessidades educacionais especiais ingressam em um sistema tradicional de educação,seja especial ou regular, frequentemente são submetidas a experiências que reforçam a postura de passividade diante de sua realidade,de seu meio, a um paradigma educacional no qual elas continuam a ser objeto e não sujeito de seus próprios processos.Paradigma esse que,em vez de educar para a independência, para a autonomia,para a liberdade de pensar e agir, reforça esquemas de dependências e submissão.São vistas e tratadas como receptoras de informação e não como construtoras de seus próprios conhecimentos.
Paulo Freire foi um dos mais talentosos pedagogos do século xx, e reconhecido em todo mundo, nasceu na cidade de Recife em 1921. Em 1962, na cidade de Angicos, estado do Rio Grande do Norte, alfabetizou mais de 300 trabalhadores em 45 dias. Participou do Movimento de Cultura Popular do Recife.
Em 1964, durante o golpe militar foi preso e exilado, ficamos 14 anos sem o nosso educador, neste período Paulo Freire viveu no Chile e lá desenvolveu o seu trabalho pedagógico. Com a colaboração de Paulo Freire, o Chile recebeu o reconhecimento da UNESCO pelo combate ao analfabetismo.
Em 1970, na cidade de Genebra, Suíça, funda em parceria com outros brasileiros exilados o IDAC (Instituto de Ação Cultural) para assessorar movimentos populares em vários países. No período de anistia política, Paulo Freire retorna ao Brasil, exerce cargos em universidades, lança livros e na gestão da petista Luisa Erundina na Prefeitura de São Paulo, ocupou o cargo de Secretário Municipal de Educação.
Faleceu em 1997, recebia uma aposentadoria de 700,00 reais, o que constatava a situação de desvalorização do professor no Brasil. Paulo Freire deixou obras que escreveu individualmente e em parceria com outros autores brasileiros e estrangeiros.
Para Freire havia a pedagogia dos dominantes, onde a educação, pertencente a uma minoria, é exercida para a dominação; e a pedagogia do oprimido, que precisa ser desenvolvida pela maioria desprovida de condições, através da prática da liberdade, num trabalho que transforme uma realidade difícil e precária. Em seu livro “Educação e atualidade brasileira”, Freire defende a tese de uma escola democrática que incuta no aluno uma visão crítica da realidade e uma visão não ingênua.
Leia mais sobre em MÉTODO PAULO FREIRE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA - Letícia Rameh

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