Como aplicar métodos pedagógicos de grandes pensadores no cotidiano escolar.
1- DE RUBEM ALVES
O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar.
2- PENSAMENTOS DE PEDRO DEMO
A PRÁTICA DA LEITURA
A BUSCA DA REALIDADE DE TODOS OS ALUNOS
A PRÁTICA DA ESCRITA
O EDUCAR PELA PESQUISA
A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO INTEGRADO
A POSSIBILIDADE DE UM CURRÍCULO INTEGRADO
DIFERIR ALFABETIZAÇÃO DE LETRAMENTO
JUVENTUDES E CULTURAS – NO PLURAL
A VERDADEIRA INTERDISCIPLINARIDADE
O QUESTIONAMENTO
NUNCA ESQUECER A EDUCAÇÃO AFETIVA
• A pesquisa na educação é o primeiro passo para criarmos
cidadãos conscientes
• Não podemos criar cópias da cópia
• A educação não deve se deter a um mero contato entre professor e
aluno
• A aula copiada não estimula a pesquisa
• Precisamos ensinar nossos alunos a anotar , criar e recriar
• Devemos fazer nossos alunos escreverem
• O comodismo inibe o crescimento intelectual
• Aprender a aprender baseando nas hipóteses , nas possíveis
explicações
• Tirar a noção de aluno como alguém subalterno – Relações de Poder
– estão presentes em todos os lugares
• O que é política ? Para que serve ? Educar é um ato político!
• As políticas públicas e nós ...que ligação temos ?
•
3- PENSAMENTOS SEGUNDO PHILLPE PERRENOUD
UM CURRÍCULO INTEGRADO
Unir a :
• formação básica
• Valorizar a participação cidadã DO ALUNO EM SOCIEDADE
CONSIDERANDO CURRÍCULO COMO UM PROCESSO QUE ENVOLVE :
escolhas , conflitos e acordos, devemos trabalhar as suas dimensões :
1- Formal : o que se aprende na escola
2- Real : que liga o escolar a sua realidade / ligado ao seu cotidiano
3- Oculto : aprendizagens que todos temos
4- PENSAMENTO SEGUNDO PAULO FREIRE
O PROFESSOR/ EDUCADOR DEVE SABER LIGAR
OS SEUS CONHECIMENTOS AO MUNDO DO ALUNO,
SEM RÓTULOS , ROMPENDO ESTERIÓTIPOS FAZENDO
DA ESCOLA UM AMBIENTE DE RESPEITO E
PRINCIPALMENTE DE TROCA !
PRECISAMOS FOMENTAR O DESEJO DE EDUCAR .
EDUCAR É UM ATO POLÍTICO !
“DEVEMOS AJUDAR O ALUNO A ENCONTRAR OS SEUS TALENTOS
E LIDAR COM AS FRUSTAÇÕES.” Revista Atividades
E Experiências - Editora Positivo
“ QUANTO MAIS CEDO FOMENTARMOS VALORES SOBRE CIDADANIA
MAIS FÁCIL E RÁPIDA SERÁ A CONSTRUÇÃO
DE NOVOS CONHECIMENTOS”
Revista da Editora Expoente .maio 2008
“QUESTIONAR AS PRÓPRIAS PERGUNTAS QUE FAZEMOS ,
COMPARAR E EXAMINAR ALTERNATIVAS , ESTABELECER E
JULGAR CRITÉRIOS , BUSCAR PRINCÍPIOS DOS QUAIS
PODEMOS EXPLICAR AS COISAS – TUDO ISSO
É CONTRUIR CONHECIMENTO.”
Livro : O que é Filosofia – Editora Ática
“ EM UMA SALA DE AULA , OS PROFESSORES NEGOCIADORES
E COM VASTO REPERTÓRIO METODOLÓGICO SÃO OS QUE
OBTÊM MAIOR SUCESSO NA DISCIPLINA DE SEUS ALUNOS .”
Revista Atividades e Experiências – Editora Positivo. Abril 2009
“AS UNIVERSIDADES NÃO PREPARAM O EDUCADOR
PARA A ESCOLA REAL. PARA ISSO ELE DEVE TER EM
MENTE O CONHECIMENTO
DE SUA DISCIPLINA E DAS OUTRAS, PARA QUE POSSA FAZER
A RELAÇÃO,
REFLETINDO SOBRE SUA PRÓPRIA PRÁTICA
PARA PERCEBER OS ERROS E TENTAR CONSERTÁ-LOS.”
Práticas Pedagógicas , Profissão Docente e Formação
de Phillipe Perrenoud
• PRECISAMOS ROMPER COM O PROFESSOR AUTOMÁTICO
• EDUCAR É GERAR , PRODUZIR E REPRODUZIR
CONHECIMENTOS
• EXISTEM ALUNOS E ALUNOS
• OS ALUNOS POSSUEM VONTADES , MEDOS , ANSEIOS , OBJETIVOS
PORÉM FAZEM PARTE DE UM GRUPO HETEROGÊNEO
• O RESULTADO DE UM VERDADEIRO SUCESSO DEVE TER APOIO
DA ESTRUTURA ESCOLAR
• NÃO ADIANTA DIZER QUE O TRABALHO É CHATO
TEMOS QUE PROPOR NOVAS IDÉIAS
• OS LIVROS ENSINAM , MAS MUITAS VEZES NÃO POSSUEM
RESPOSTAS E ATITUDES
• DEVEMOS ARTICULAR TEORIA E PRÁTICA- MÉTODOS PARA
ENVOLVER A TURMA
( PERRENOUD )
A educação está em constante transformação assim como a sociedade. No decorrer da história da educação a sociedade sempre a influenciou desde os primórdios mostrando que as relações de poder permeiam a educação e nos faz muitas vezes objeto dela . Devemos seguir o ritmo das mudanças sóciais, assim seguiremos as mudanças da educação . André Petitat – Produção da Escola . Produção da Sociedade
Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador , a gente se forma , como educador , permanentemente , na prática e na reflexão da prática .”
“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Paulo Freire
Não podemos igualar instituições educacionais a empresas e nos preocuparmos com pesquisas- o piso salarial no Brasil , em geral é baixo , mas temos que ver também que para um bom funcionamento educacional temos que ter professores bem preparados e a universidade não faz isso . Ai entra as formações continuadas .
Ao homem compete a criação , a imaginação e a inovação . Isso implica em pensarmos processos de formação CONTINUADA , articulados de saberes , onde os docentes tenham condições de administrar, com suficiente autonomia , o conflito entre o prático e o teórico...o professor enquanto aprendiz dos saberes relativos de como ensinar, deve gerenciar de dinâmica a sua formação continuada. Formação essa, que deve perpassar por uma reflexão crítica da práxis educativa , tendo em vista que a mudança no comportamento do professor só pode ocorrer a partir da possibilidade dele se perceber enquanto profissional.Revista Atividades e Experiências. Editora Positivo / abril 2009 P. 19
AUGUSTO CURY
PAIS BRILHANTES , PROFESSORES FASCINANTES
BONS PROFESSORES ENSINAM : para a vida , para o funcionamento da mente , para a emoção não apenas para a lógica , para a rte de pensar, , para humanizar o conhecimento, para a arte de criar , para a arte da interrogação,para a sala em U , para cruzar histórias , para gerenciar pensamentos, para música ambiente , para serem... para sempre... professores fascinantes !
O PROFESSOR NÃO DEVE: corrigir publicamente, ser autoritário e agressivo , obstruir a infância, colocar limites sem dar explicações , desistir de educar , não cumprir com a palavra destruir a esperança e os sonhos !
BIBLIOGRAFIA:
PERRENOUD P. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação .Lisboa: D. Quixote,1993
SAVIANI D. O ensino de resultados. Folha de São Paulo.abril 2007
SAVIANI D. Educação Brasileiura :estrutura e sistema . Saõ Paulo.:Cortez,1994 .
DEMO . Pedro Educar pela Pesquisa .Campinas :autores Associados , 2000.
PETITAT . A . Produção da Escola . Produção da sociedade.
FREIRE . P. Pedagogia da Autonomia e outros .
PALESTRAS EDUCACIONAIS E FORMAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES: UM CAMINHO PARA UMA MELHOR RELAÇÃO ALUNO X PROFESSOR ____MINISTRADO POR: Josane Fernanda Lisboa Chinkevicz OBSERVAR A AGENDA E ESTABELECER CONTATO VIA E-MAIL: lisboa.josanefernanda@yahoo.com.br
CIDADANIA E ÉTICA
Cidadania E Ética Na Escola Na Busca Da Formação Moral
Publicado em: 21-10-2009 por Cristiane Zandonadi Professora da Rede Estadual do Estado do Espírito Santo, licenciada em Matemática, pós graduada em Matemática e Orientação Educacional.
A palavra ética e moral costumam ser usadas quase como sinônimas, mas há diferenças entre elas, pois a moral se refere aos costumes que determinada sociedade possui e, portanto, se reveste de um sentido, digamos mais conformista, mais no rumo de adequar o individuo ao seu grupo social, já a ética, diria respeito as diferenças presentes em qualquer sociedade, onde cada individuo buscaria seu próprio caminho. Segundo Cabanas (1996), a questão central da ética é a de responder à pergunta sobre o que nos obriga a sermos bons? Ou seja, é a ética que nos possibilita critérios para definirmos o que é ser bom, correto ou moralmente certo e que nos fornece explicações para nosso senso de dever moral.
No entanto, lembremos que quando falamos de ética (ou moral), consideramos as ações humanas no contexto escolar. Essas ações devemos aprová-las, censurá-las ou moldá-las?
Segundo Piaget o método mais efetivo para a educação moral é o ativo, onde a criança participa de experiências morais através do ambiente proporcionado pela escola. Quanto a isso, o autor diz que a criança deve estar em contato com outras crianças e com situações onde possa experimentar a cooperação, a democracia, o respeito mútuo e, assim, construir paulatinamente sua moralidade.
Uma das questões cruciais, hoje, quando discutimos a moral ou a ética esta aqui: acreditamos que existe uma tábua de valores pronta e acabada, mas falhamos, pois tais valores são construídos de acordo com a relação do homem com o mundo, e esta relação pode ser aprimorada no ambiente escolar, quando podemos proporcionar a criança situações para ela vivenciar a partilha, a cooperação, o respeito mútuo, exercer a cidadania e assim construir a sua autonomia.
O convívio escolar é um espaço rico para que o aluno desenvolva o diálogo, aprenda a ser solidário, a ouvir e ser ouvido, a submeter suas idéias ao juízo dos outros. Assim o trabalho pedagógico terá sentidos e significados para quem aprende e para quem organiza o processo, e o objetivo principal de construção da cidadania se torna possível.
O resgate da cidadania significa assumir a causa dos direitos humanos como direitos de todos, pessoas educadas não manipulam nem são manipuladas, e o espaço escolar proporciona situações para que tudo aconteça.
Desenvolvimento
A ética é elemento integrante de nosso ser e estar no mundo. Falar da essência da pessoa humana é falar do amor, da liberdade, da solidariedade, da prática da justiça, portanto é falar da cidadania.
A luta pela conquista de espaço nessa sociedade competitiva e excludente tem desencadeado entre as pessoas alguns comportamentos preocupantes. As pessoas estão perdendo o respeito pelo próximo, o prazer e o diálogo, o sentimento de solidariedade e a humildade, daí a preocupação que desenvolver na escola um trabalho que possa desenvolver esses valores, buscando um comportamento mais ético dos alunos.
Sabemos que a educação tem como responsabilidade a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, para tanto, as situações criadas na escola para tal formação pode também estar relacionada com as atividades que desenvolvem a ética moral. Essas trocas de experiências estão ligadas a atividades desenvolvidas em equipe, pois a criança não constrói sua personalidade num ambiente isolado, mas sim num espaço participativo, onde existe troca de opiniões, e discussões das idéias sendo aprovadas ou censuradas.
Para Piaget, a educação moral não constitui uma matéria especial de ensino, mas um aspecto particular da totalidade do sistema, dessa maneira, as crianças e os jovens não devem ter "aulas" de educação moral, mas vivenciar a moralidade em todos os aspectos e ambientes presentes na escola. Nesse sentido, os trabalhos em grupo (ou trabalho por equipes, como prefere Piaget) são uma atividade facilitadora para a construção da autonomia, pois as crianças, ao trabalharem juntas, podem trocar pontos de vista, discutir, ganhar em algumas idéias e perder em outras, enfim, podem exercer a democracia.
Portanto, cabe aos professores propiciar questões e atividades em que os educandos, agentes ativos no processo ensino-aprendizagem, possam dialogar, discutir, questionar, compartilhar informações e viabilizar um espaço para as transformações, as diferenças, o erro, o que é certo e o que é errado, as contradições, a colaboração mutua e a criatividade.
O desenvolvimento humano se constitui por meio das interações da criança com outras pessoas mais experientes, e é por meio das aprendizagens decorrentes que os indivíduos desenvolvem as funções psicológicas, com capacidade de abstrair, interpretar e criar. (KOHL,1995,p.60)
Assim, o processo de desenvolvimento humano é decorrente das aprendizagens que o individuo internaliza a partir das interações com os outros indivíduos da sua espécie.
Segundo Puig, a educação moral deve apresentar-se como um espaço de reflexão individual e coletiva que possibilite a elaboração autônoma de valores e que auxilie a:
• Detectar e criticar os aspectos injustos da realidade cotidiana e das normas sociais vigentes.
• Construir formas de vida mais justas, tanto nos âmbitos interpessoais como nos coletivos.
• Elaborar autônoma, racional e dialogicamente princípios de valor que ajudem a julgar criticamente a realidade.
• Conseguir que os jovens façam seus aqueles tipos de comportamentos coerentes com os princípios e normas que pessoalmente construíram.
• Fazer com que adquiram também aquelas normas que a sociedade, de modo democrático e visando a justiça, lhes deu.
(PUIG, 1998b, p.17 apud Lepre2001)
Para esse autor, a educação moral pressupõe uma tarefa construtiva e deve levar em consideração as diferenças e os valores culturais de todos os grupos sociais. É necessário, ainda, atentar para alguns elementos presentes na moralidade, como por exemplo, as emoções e os sentimentos.
"Por fim, a construção da personalidade moral conclui com a construção da própria biografia como cristalização dinâmica de valores, como espaço de diferenciação e de criatividade moral." (PUIG, 1998 a, p.75) Assim, o último momento da educação moral com vistas à construção da personalidade, seria o de tomar conhecimento de sua própria biografia moral, conhecer seus valores e ter as habilidades necessárias para viver uma vida que "valha a pena ser vivida e que produza felicidade a quem a vive." (PUIG, 1998a, p.75/76)
Severino (1994: 149) entende que:
Só se compreende educação enquanto forma de mediação histórica da existência humana, como uma luta de condições sempre melhores de trabalho, desociabilidade e de vivência da cultura simbólica, portanto ela só se legitima como mediação na construção da cidadania. Em relação ao indivíduo, a educação se propõe a construir e desenvolver a cidadania. Em relação à sociedade a construir a democracia, entendida como garantia a todos os indivíduos da efetivação universalizada dessas mediações.
Dessa forma, toda a escola deve estar engajada em seu programa de educação moral, caso tenha optado por ele de forma democrática. Esse trabalho não pode ser desenvolvido apenas na sala de aula, entre professor e alunos, mas em toda a escola, que deve constituir-se como um ambiente sócio-moral que permita a construção da cidadania. ( Lepre,2001).
Conclusão
Devemos buscar soluções que atendam aos pressupostos da educação pautada nesta ética. Educar é uma tarefa dificílima e deve gerar compromissos sociais, preservando a identidade de cada um, sua consciência sobre si mesmo e sobre o mundo exterior.
Ter um modelo em que o próprio educando vá traçando seu caminho, para enfim chegar a um estágio onde sua moral, cidadania está interligada voltada a um sentimento que o leva a ser feliz. Trata-se de elaborar uma nova ética do sujeito consciente e livre buscando o que há de melhor para seres concretos e históricos, que somente tornar-se-ão plenamente humanos quando voltados para a transcendência.
Nesta perspectiva é interessante a preocupação de Paulo Freire, já no livro Educação como Prática da Liberdade, em redefinir tais conceitos: “De acordo com as teses centrais que vimos desenvolvendo, pareceu-nos fundamental fazermos algumas superações, na experiência que iniciávamos. Assim, em lugar de escola, que nos parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de passividade, em face de nossa própria formação (até mesmo quando se dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de transição, lançamos o Círculo de Cultura. Em lugar de professor, com tradições fortemente “doadoras”, o coordenador de debates. Em lugar de aulas discursiva , o diálogo. Em lugar de aluno, com tradições passivas, o participante do grupo. Em lugar dos “pontos” e de programas alienados, programação compacta, "reduzida" e "codificada" em unidades de aprendizagem. (Freire. 1996. Nota 12, p. 11)
Mas, para primeiro destacar esta ética dentre os alunos temos que lembrar o papel da área pedagógica, que este é o responsável por desencadear este processo dentro da escola. A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais referente ao trabalho com a ética é justamente evitar essa dicotomia entre “pregar valores” e “vivenciar valores”.
Sabemos que a escola, em outros tempos trabalhava com os conteúdos sobre valores na disciplina Moral e Cívica, no entanto, os alunos não desenvolveram o sentido moral e muito menos de civismo. Nesse sentido, o tema transversal “Ética” é sugerido para que seja trabalhada a construção da autonomia moral dos alunos.
A educação para a liberdade não pode reduzir-se a ensinar a ser comedidos nas reivindicações e sim respeitosos com os direitos dos outros.
Não podemos mais propor um rol do que é certo e do que é errado, a de que as pessoas simplesmente o repitam em suas vidas. Por isso mesmo, a ética não pode ser mais uma relação de condutas honestas, corretas; isso é bem pouco e não garante que uma pessoa haja bem.
Uma conduta ética exige responsabilidade de todos, no sentido negativo de limpar o que está sujo, mas também e sobretudo, no sentido ( este, positivo) de construir uma sociedade que escolha determinados fins comuns.
Publicado em: 21-10-2009 por Cristiane Zandonadi Professora da Rede Estadual do Estado do Espírito Santo, licenciada em Matemática, pós graduada em Matemática e Orientação Educacional.
A palavra ética e moral costumam ser usadas quase como sinônimas, mas há diferenças entre elas, pois a moral se refere aos costumes que determinada sociedade possui e, portanto, se reveste de um sentido, digamos mais conformista, mais no rumo de adequar o individuo ao seu grupo social, já a ética, diria respeito as diferenças presentes em qualquer sociedade, onde cada individuo buscaria seu próprio caminho. Segundo Cabanas (1996), a questão central da ética é a de responder à pergunta sobre o que nos obriga a sermos bons? Ou seja, é a ética que nos possibilita critérios para definirmos o que é ser bom, correto ou moralmente certo e que nos fornece explicações para nosso senso de dever moral.
No entanto, lembremos que quando falamos de ética (ou moral), consideramos as ações humanas no contexto escolar. Essas ações devemos aprová-las, censurá-las ou moldá-las?
Segundo Piaget o método mais efetivo para a educação moral é o ativo, onde a criança participa de experiências morais através do ambiente proporcionado pela escola. Quanto a isso, o autor diz que a criança deve estar em contato com outras crianças e com situações onde possa experimentar a cooperação, a democracia, o respeito mútuo e, assim, construir paulatinamente sua moralidade.
Uma das questões cruciais, hoje, quando discutimos a moral ou a ética esta aqui: acreditamos que existe uma tábua de valores pronta e acabada, mas falhamos, pois tais valores são construídos de acordo com a relação do homem com o mundo, e esta relação pode ser aprimorada no ambiente escolar, quando podemos proporcionar a criança situações para ela vivenciar a partilha, a cooperação, o respeito mútuo, exercer a cidadania e assim construir a sua autonomia.
O convívio escolar é um espaço rico para que o aluno desenvolva o diálogo, aprenda a ser solidário, a ouvir e ser ouvido, a submeter suas idéias ao juízo dos outros. Assim o trabalho pedagógico terá sentidos e significados para quem aprende e para quem organiza o processo, e o objetivo principal de construção da cidadania se torna possível.
O resgate da cidadania significa assumir a causa dos direitos humanos como direitos de todos, pessoas educadas não manipulam nem são manipuladas, e o espaço escolar proporciona situações para que tudo aconteça.
Desenvolvimento
A ética é elemento integrante de nosso ser e estar no mundo. Falar da essência da pessoa humana é falar do amor, da liberdade, da solidariedade, da prática da justiça, portanto é falar da cidadania.
A luta pela conquista de espaço nessa sociedade competitiva e excludente tem desencadeado entre as pessoas alguns comportamentos preocupantes. As pessoas estão perdendo o respeito pelo próximo, o prazer e o diálogo, o sentimento de solidariedade e a humildade, daí a preocupação que desenvolver na escola um trabalho que possa desenvolver esses valores, buscando um comportamento mais ético dos alunos.
Sabemos que a educação tem como responsabilidade a formação de cidadãos autônomos, críticos e participativos, para tanto, as situações criadas na escola para tal formação pode também estar relacionada com as atividades que desenvolvem a ética moral. Essas trocas de experiências estão ligadas a atividades desenvolvidas em equipe, pois a criança não constrói sua personalidade num ambiente isolado, mas sim num espaço participativo, onde existe troca de opiniões, e discussões das idéias sendo aprovadas ou censuradas.
Para Piaget, a educação moral não constitui uma matéria especial de ensino, mas um aspecto particular da totalidade do sistema, dessa maneira, as crianças e os jovens não devem ter "aulas" de educação moral, mas vivenciar a moralidade em todos os aspectos e ambientes presentes na escola. Nesse sentido, os trabalhos em grupo (ou trabalho por equipes, como prefere Piaget) são uma atividade facilitadora para a construção da autonomia, pois as crianças, ao trabalharem juntas, podem trocar pontos de vista, discutir, ganhar em algumas idéias e perder em outras, enfim, podem exercer a democracia.
Portanto, cabe aos professores propiciar questões e atividades em que os educandos, agentes ativos no processo ensino-aprendizagem, possam dialogar, discutir, questionar, compartilhar informações e viabilizar um espaço para as transformações, as diferenças, o erro, o que é certo e o que é errado, as contradições, a colaboração mutua e a criatividade.
O desenvolvimento humano se constitui por meio das interações da criança com outras pessoas mais experientes, e é por meio das aprendizagens decorrentes que os indivíduos desenvolvem as funções psicológicas, com capacidade de abstrair, interpretar e criar. (KOHL,1995,p.60)
Assim, o processo de desenvolvimento humano é decorrente das aprendizagens que o individuo internaliza a partir das interações com os outros indivíduos da sua espécie.
Segundo Puig, a educação moral deve apresentar-se como um espaço de reflexão individual e coletiva que possibilite a elaboração autônoma de valores e que auxilie a:
• Detectar e criticar os aspectos injustos da realidade cotidiana e das normas sociais vigentes.
• Construir formas de vida mais justas, tanto nos âmbitos interpessoais como nos coletivos.
• Elaborar autônoma, racional e dialogicamente princípios de valor que ajudem a julgar criticamente a realidade.
• Conseguir que os jovens façam seus aqueles tipos de comportamentos coerentes com os princípios e normas que pessoalmente construíram.
• Fazer com que adquiram também aquelas normas que a sociedade, de modo democrático e visando a justiça, lhes deu.
(PUIG, 1998b, p.17 apud Lepre2001)
Para esse autor, a educação moral pressupõe uma tarefa construtiva e deve levar em consideração as diferenças e os valores culturais de todos os grupos sociais. É necessário, ainda, atentar para alguns elementos presentes na moralidade, como por exemplo, as emoções e os sentimentos.
"Por fim, a construção da personalidade moral conclui com a construção da própria biografia como cristalização dinâmica de valores, como espaço de diferenciação e de criatividade moral." (PUIG, 1998 a, p.75) Assim, o último momento da educação moral com vistas à construção da personalidade, seria o de tomar conhecimento de sua própria biografia moral, conhecer seus valores e ter as habilidades necessárias para viver uma vida que "valha a pena ser vivida e que produza felicidade a quem a vive." (PUIG, 1998a, p.75/76)
Severino (1994: 149) entende que:
Só se compreende educação enquanto forma de mediação histórica da existência humana, como uma luta de condições sempre melhores de trabalho, desociabilidade e de vivência da cultura simbólica, portanto ela só se legitima como mediação na construção da cidadania. Em relação ao indivíduo, a educação se propõe a construir e desenvolver a cidadania. Em relação à sociedade a construir a democracia, entendida como garantia a todos os indivíduos da efetivação universalizada dessas mediações.
Dessa forma, toda a escola deve estar engajada em seu programa de educação moral, caso tenha optado por ele de forma democrática. Esse trabalho não pode ser desenvolvido apenas na sala de aula, entre professor e alunos, mas em toda a escola, que deve constituir-se como um ambiente sócio-moral que permita a construção da cidadania. ( Lepre,2001).
Conclusão
Devemos buscar soluções que atendam aos pressupostos da educação pautada nesta ética. Educar é uma tarefa dificílima e deve gerar compromissos sociais, preservando a identidade de cada um, sua consciência sobre si mesmo e sobre o mundo exterior.
Ter um modelo em que o próprio educando vá traçando seu caminho, para enfim chegar a um estágio onde sua moral, cidadania está interligada voltada a um sentimento que o leva a ser feliz. Trata-se de elaborar uma nova ética do sujeito consciente e livre buscando o que há de melhor para seres concretos e históricos, que somente tornar-se-ão plenamente humanos quando voltados para a transcendência.
Nesta perspectiva é interessante a preocupação de Paulo Freire, já no livro Educação como Prática da Liberdade, em redefinir tais conceitos: “De acordo com as teses centrais que vimos desenvolvendo, pareceu-nos fundamental fazermos algumas superações, na experiência que iniciávamos. Assim, em lugar de escola, que nos parece um conceito, entre nós, demasiado carregado de passividade, em face de nossa própria formação (até mesmo quando se dá o atributo de ativa), contradizendo a dinâmica fase de transição, lançamos o Círculo de Cultura. Em lugar de professor, com tradições fortemente “doadoras”, o coordenador de debates. Em lugar de aulas discursiva , o diálogo. Em lugar de aluno, com tradições passivas, o participante do grupo. Em lugar dos “pontos” e de programas alienados, programação compacta, "reduzida" e "codificada" em unidades de aprendizagem. (Freire. 1996. Nota 12, p. 11)
Mas, para primeiro destacar esta ética dentre os alunos temos que lembrar o papel da área pedagógica, que este é o responsável por desencadear este processo dentro da escola. A proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais referente ao trabalho com a ética é justamente evitar essa dicotomia entre “pregar valores” e “vivenciar valores”.
Sabemos que a escola, em outros tempos trabalhava com os conteúdos sobre valores na disciplina Moral e Cívica, no entanto, os alunos não desenvolveram o sentido moral e muito menos de civismo. Nesse sentido, o tema transversal “Ética” é sugerido para que seja trabalhada a construção da autonomia moral dos alunos.
A educação para a liberdade não pode reduzir-se a ensinar a ser comedidos nas reivindicações e sim respeitosos com os direitos dos outros.
Não podemos mais propor um rol do que é certo e do que é errado, a de que as pessoas simplesmente o repitam em suas vidas. Por isso mesmo, a ética não pode ser mais uma relação de condutas honestas, corretas; isso é bem pouco e não garante que uma pessoa haja bem.
Uma conduta ética exige responsabilidade de todos, no sentido negativo de limpar o que está sujo, mas também e sobretudo, no sentido ( este, positivo) de construir uma sociedade que escolha determinados fins comuns.
ARTIGO PUBLICADO : DEBATE SOBRE IDENTIDADE CULTURAL NA ESCOLA
Falando de Identidade na Escola
Feira de Objetos Antigos .
Vamos falar de identidade? Sim vamos .Esta foi a minha proposta com a feira de objetos antigos no Colégio Antonio Peixoto, realizada pelos alunos do Segundo Ano do Ensino Médio. Temos que falar de ética e moral? Temos, mas precisamos urgentemente falar de valores, de família. Assim sempre entramos neste debate nas nossas aulas , mas não isolando nossos alunos com conceitos já pré-estabelecidos, mas fazendo-o pensar sobre isto .Quando defendi esta proposta metodológica , no início muitos alunos disseram que não tinham nenhum objeto para expor mas depois todos estavam prontos para fazer a sua exposição. A proposta vem do pensamento ligado ao estudo da sociologia nas escolas e a realidade do aluno, onde conceitos importantes são discutidos: identidade juvenil, conhecimento de si - aluno, conhecimento da turma , história de vida , noção de sujeito histórico, cultura , culturas juvenis, manifestação e diversidade cultural e noção de patrimônio histórico . Muitas vezes nós , educadores , nos prendemos a salientar à nossos alunos a importância do patrimônio histórico por exemplo , mas não o fazemos pensar , na real , como isso é importante para a preservação da cultura, da nossa história.
Conceitos existem em apostilas e livros didáticos e são importantes para um embasamento teórico, mas devemos nos preocupar em inovar nossas aulas e a feira de objetos antigos que realizamos foi com o objetivo de uma educação mais cientifica , voltada para a pesquisa , lembrando do pensamento de Pedro Demo: “ Educar pela Pesquisa” .
Se fala tanto em pesquisa cientifica, mas a pesquisa na educação tem que ser valorizada . A teatrialização é um grande caminho para isso , os alunos podem incorporar uma época, uma situação vivida , se tornando assim o instrumento daquela ação e essa é a proposta do meu projeto de mestrado no momento . “ A maneira pela qual a informação é tratada como produto descartável pela sociedade, se faz necessário grandes mudanças no universo estudantil. Existe ai grandes possibilidades para produção do conhecimento científico e ao mesmo tempo a transformação de valores em escala social. Quanto mais próximo do conhecimento científico o educando estiver, mais chances haverá desse conhecimento sobreviver por mais tempo e não apenas até o dia da avaliação como se tem em vista. É necessário que o educando perceba a informação científica como um meio para sua formação como cidadão crítico, e o teatro, como ferramenta pedagógica, pode ser uma ponte para essa percepção, se tornando uma porta de abertura para a difusão do conhecimento científico entre os alunos em sala de aula”(.BIZZO, N. Ciência Fácil ou Difícil. São Paulo: Ática. 1998)
Falar de identidade e cultura é preparar nossos alunos a discuti-los e o mais difícil, produzir algo sobre, fazendo o aluno se envolver com o tema . A feira trouxe para o pátio do colégio objetos muito antigos e até uns mais recentes para nós é claro. Mas as explicações de nossos alunos, iluminou o olhar dos educadores, pois estavam falando de nossa herança cultural , e acho que isto tem que ser sempre resgatado junto aos conceitos e a prática da ética e da moral, tantas vezes discutidas em palestras educacionais e em temas de redação dentro dos vestibulares . Observar e discutir a cultura local, da nossa família, resgata valores ,os pais ajudam e interagem com seus filhos ao mostrarem os objetos antigos da família ou de amigos explicando a sua utilidade, porém é importante o educador ter em consciência a época em que este aluno vive, ou seja o que é antigo para ele muitas vezes não é para nós.. Mas o que realmente vale a pena e que rompemos as paredes da sala de aula (Paulo Freire ) , saímos um pouco das apostilas e dos livros e fomos para uma cultura prática e então um enfeite da sala ou um móvel antigo vira conteúdo de aula .
E lá estavam eles, nossos alunos , com aqueles objetos e explicando para todos os alunos do colégio, inclusive para os pequeninos , que cultura não é apenas um conceito, é a forma de mostrar a nossa história, a nossa identidade . Falando da cultura local com certeza estarão produzindo novos conhecimentos e gerando um aprendizado significativo.
Josane Fernanda Lisboa, historiadora , Especialista em Políticas Públicas , professora da Rede Privada de ensino e Formadora de Educadores em todo o Estado de Santa Catarina .
lisboa.josanefernanda@yahoo.com.br/www.geracaoescola.blogspot.com
Feira de Objetos Antigos .
Vamos falar de identidade? Sim vamos .Esta foi a minha proposta com a feira de objetos antigos no Colégio Antonio Peixoto, realizada pelos alunos do Segundo Ano do Ensino Médio. Temos que falar de ética e moral? Temos, mas precisamos urgentemente falar de valores, de família. Assim sempre entramos neste debate nas nossas aulas , mas não isolando nossos alunos com conceitos já pré-estabelecidos, mas fazendo-o pensar sobre isto .Quando defendi esta proposta metodológica , no início muitos alunos disseram que não tinham nenhum objeto para expor mas depois todos estavam prontos para fazer a sua exposição. A proposta vem do pensamento ligado ao estudo da sociologia nas escolas e a realidade do aluno, onde conceitos importantes são discutidos: identidade juvenil, conhecimento de si - aluno, conhecimento da turma , história de vida , noção de sujeito histórico, cultura , culturas juvenis, manifestação e diversidade cultural e noção de patrimônio histórico . Muitas vezes nós , educadores , nos prendemos a salientar à nossos alunos a importância do patrimônio histórico por exemplo , mas não o fazemos pensar , na real , como isso é importante para a preservação da cultura, da nossa história.
Conceitos existem em apostilas e livros didáticos e são importantes para um embasamento teórico, mas devemos nos preocupar em inovar nossas aulas e a feira de objetos antigos que realizamos foi com o objetivo de uma educação mais cientifica , voltada para a pesquisa , lembrando do pensamento de Pedro Demo: “ Educar pela Pesquisa” .
Se fala tanto em pesquisa cientifica, mas a pesquisa na educação tem que ser valorizada . A teatrialização é um grande caminho para isso , os alunos podem incorporar uma época, uma situação vivida , se tornando assim o instrumento daquela ação e essa é a proposta do meu projeto de mestrado no momento . “ A maneira pela qual a informação é tratada como produto descartável pela sociedade, se faz necessário grandes mudanças no universo estudantil. Existe ai grandes possibilidades para produção do conhecimento científico e ao mesmo tempo a transformação de valores em escala social. Quanto mais próximo do conhecimento científico o educando estiver, mais chances haverá desse conhecimento sobreviver por mais tempo e não apenas até o dia da avaliação como se tem em vista. É necessário que o educando perceba a informação científica como um meio para sua formação como cidadão crítico, e o teatro, como ferramenta pedagógica, pode ser uma ponte para essa percepção, se tornando uma porta de abertura para a difusão do conhecimento científico entre os alunos em sala de aula”(.BIZZO, N. Ciência Fácil ou Difícil. São Paulo: Ática. 1998)
Falar de identidade e cultura é preparar nossos alunos a discuti-los e o mais difícil, produzir algo sobre, fazendo o aluno se envolver com o tema . A feira trouxe para o pátio do colégio objetos muito antigos e até uns mais recentes para nós é claro. Mas as explicações de nossos alunos, iluminou o olhar dos educadores, pois estavam falando de nossa herança cultural , e acho que isto tem que ser sempre resgatado junto aos conceitos e a prática da ética e da moral, tantas vezes discutidas em palestras educacionais e em temas de redação dentro dos vestibulares . Observar e discutir a cultura local, da nossa família, resgata valores ,os pais ajudam e interagem com seus filhos ao mostrarem os objetos antigos da família ou de amigos explicando a sua utilidade, porém é importante o educador ter em consciência a época em que este aluno vive, ou seja o que é antigo para ele muitas vezes não é para nós.. Mas o que realmente vale a pena e que rompemos as paredes da sala de aula (Paulo Freire ) , saímos um pouco das apostilas e dos livros e fomos para uma cultura prática e então um enfeite da sala ou um móvel antigo vira conteúdo de aula .
E lá estavam eles, nossos alunos , com aqueles objetos e explicando para todos os alunos do colégio, inclusive para os pequeninos , que cultura não é apenas um conceito, é a forma de mostrar a nossa história, a nossa identidade . Falando da cultura local com certeza estarão produzindo novos conhecimentos e gerando um aprendizado significativo.
Josane Fernanda Lisboa, historiadora , Especialista em Políticas Públicas , professora da Rede Privada de ensino e Formadora de Educadores em todo o Estado de Santa Catarina .
lisboa.josanefernanda@yahoo.com.br/www.geracaoescola.blogspot.com
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