PALESTRA 2 - EDUCAÇÃO INTEGRADA

CONSIDERANDO O PLANEJAMENTO COMO UM PROCESSO QUE ENVOLVE ESCOLHAS, CONFLITOS E ACORDOS, DEVEMOS TRABALHAR TODAS AS SUAS DIMENSÕES!
EDUCAÇÃO E REALIDADE DO ALUNO - UMA UNIÃO NECESSÁRIA


A PRÁTICA DA LEITURA
A BUSCA DA REALIDADE DE TODOS OS ALUNOS
A PRÁTICA DA ESCRITA
O EDUCAR PELA PESQUISA
A ELABORAÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO INTEGRADO
A POSSIBILIDADE DE UM CURRÍCULO INTEGRADO
DIFERIR ALFABETIZAÇÃO DE LETRAMENTO
JUVENTUDES E CULTURAS – NO PLURAL
A VERDADEIRA INTERDISCIPLINARIDADE
O QUESTIONAMENTO
NUNCA ESQUECER A EDUCAÇÃO AFETIVA


AS DISCIPLINAS UNIDAS,FORMANDO CIDADÃOS,UNINDO SEUS CONTEÚDOS ÀS PRÁTICAS DIÁRIAS!

PALESTRA 1-CONHECENDO NOSSOS ALUNOS

Uma sala de aula reúne aprendizados ...


Viver em multidão em uma espaço coletivo
Habituar-se a rotinas
Saber esperar
Ser avaliado e se avaliar
Se ver na opinião dos outros
Se ver em uma sociedade hierarquizada – relações de poder
Conhecer o seu ritmo
Se habituar com pausas escolares e relacionar-se com o tempo
Reconhecer o espaço privado e o público
Relacionar regras e saberes

RUBEM ALVES

O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores. Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer. Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer porque não existe coisa mais importante que educar. RUBEM ALVES

PALESTRA 4 - LEITURA ..O INÍCIO DE UMA GRANDE CAMINHADA

Trabalhos de Grupo

LER É FUNDAMENTAL:

 Perceber que é na interação que os alunos aprendem. Portanto, planejar situações didáticas em que os alunos estejam agrupados criteriosamente e possam trocar pontos de vista, negociar e chegar a um acordo é imprescindível no cotidiano da sala de aula. Nessa proposta o professor não é o único informante e os alunos têm um status de informantes válidos.

 Reconhecer que o trabalho em grupo, além de permitir que todos avancem, possibilita uma mobilidade maior ao professor dentro da sala de aula, já que poderá atender os alunos que precisam de maior ajuda.

 Agrupar alunos em função de uma ação intencional e criteriosamente planejada pelo professor. Tal ação deve estar baseada em 3 aspectos: o conhecimento dos alunos sobre o que se pretende ensinar, as características pessoais dos alunos e a clareza dos objetivos com os quais se pretende propor a atividade. Deixar de considerar esses aspectos, em geral, resulta em agrupamentos improdutivos, baseados na improvisação.

 Propor atividades individuais que, incontestavelmente, devem ter lugar entre as situações de aprendizagem propostas aos alunos, pois eles necessitam de momentos em que possam trabalhar com suas próprias idéias.

 Que, além dos conflitos cognitivos – naturalmente provocados pelo trabalho em parceria – o educador se preocupe em garantir que as atividades propostas sejam portadoras de desafios, ou seja, tragam em si um problema a ser resolvido, para que na tentativa de solucioná-lo, os aprendizes coloquem em uso tudo o que já sabem sobre o conteúdo em questão.

 Diversificar os tipos de ajuda: propor perguntas que requeiram níveis de esforço diferente; oferecer uma informação específica que promova o estabelecimento de novas relações; ouvir o que o aluno tem a dizer sobre o que pensou para chegar a um determinado produto; estimular o processo pessoal. Dadas as diferenças entre os saberes dos alunos, a maneira de intervir não deve ser a mesma para todos.

 Se quer que os alunos assumam como valores a cooperação, o respeito às idéias e maneiras de ser dos parceiros, a solidariedade e a justiça , que o educador atue de acordo com esses princípios.

 Que o professor assuma a condição de autor da própria prática pedagógica: aquele que, diante de cada situação, precisa refletir, buscar suas próprias soluções, construir novas estratégias, tomar decisões, enfim, ter autonomia intelectual. Trilhar esse caminho exige estudo, reflexão sobre a ação, auto-avaliação, trabalho em parceria e, principalmente, disponibilidade para aprender e experimentar.

PROJOVEM URBANO – FUNDAR

PALESTRA 3 - ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

A alfabetização é a aquisição do código da escrita e da leitura, a codificação através da escrita e decodificação através da leitura; em suma, em seu sentido mais restrito, alfabetizar-se é aprender a ler e a escrever.
O termo letramento é o uso das práticas sociais da leitura e da escrita e difundiu-se rapidamente no meio acadêmico; porém, anteriormente, transitou pela mídia e nas escolas na tentativa de produzir algum sentido para além do termo alfabetização, que já não era suficiente para explicar o processo de aquisição do código escrito.
Logo, alfabetização e letramento são processos distintos, embora possam e devam caminhar simultaneamente. Segundo entendimento de Soares (2002): “a questão é alfabetizar letrando, ensinar a criança a ler e escrever por meio das práticas sociais de leitura e escrita”.
Nas escolas pesquisadas, ora o trabalho pedagógico era pautado nos conceitos de alfabetização, restringindo-a em codificação e decodificação do código escrito; ora era balizado no conceito de letramento, propondo atividades de usos sociais do código escrito.
Na tentativa de classificar as atividades ministradas nas salas de aula e nas salas de reforço escolar para os alunos com dificuldades de aprendizagem no processo de aquisição da língua escrita, em atividades de alfabetização e atividades de letramento, tomamos como referência Soares (2004) que divide atividades de ensino da língua escrita no Brasil, anterior e posterior aos anos 80.
Segundo a autora “...até os anos 80, o objetivo maior era a alfabetização (...), isto é, enfatizava-se fundamentalmente a aprendizagem do sistema convencional da escrita.”
Soares (2004) continua dizendo que a partir dos anos 80 o “‘construtivismo’ trouxe uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área da alfabetização, porque alterou fundamentalmente a concepção do processo de aprendizagem e apagou a distinção entre aprendizagem do sistema de escrita e práticas efetivas de leitura e de escrita.”. A autora está se referindo ao conceito de letramento.
Porém nos alerta que tanto a alfabetização quanto o letramento estão sendo utilizados separadamente, desvinculados um do outro. O objetivo maior é relacioná-los como processos distintos, porém indissociáveis. existe uma interação com o material escrito, lendo e escrevendo diferentes gêneros em variados suportes, para diferentes interlocutores, isto é, uma preocupação com os usos sociais da leitura e da escrita.
Logo, alfabetização e letramento apresentam objetos de conhecimento distintos e, por conseguinte, os processos cognitivos de cada um se tornam diferentes. Alfabetização e letramento são processos que devem ser indissociáveis, como já dito anteriormente.
A alfabetização deve ocorrer em meio à utilização de variados suportes e gêneros de escrita, assim como para diversos interlocutores, ou seja, o aluno deve apropriar-se do código escrito mantendo-se em constante contato com ele em práticas reais do dia-a-dia.


http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt10/p101.pdf

PALESTRA 8 - PARA EDUCADOR SOCIAL - ATRAVÉS DA EDUCAÇÃO SEMPRE EXISTE UMA CHANCE !

Eram umas vezes
*José Rezende Jr. (para minha mãe)
Tínhamos quase nada em nossa casa, eu e minha mãe. Nossa casa parecia de cinema: era de papelão, como o cenário de um filme que jamais foi feito. (Minha mãe nunca foi ao cinema.) Mas entre o quase nada que possuíamos havia um tesouro pousado sobre o caixote que nos servia de mesa: era um livro. Sem ele, eu não estaria aqui.
Nosso livro foi o bem mais valioso que minha mãe encontrou em anos e anos de garimpo no lixo do qual extraíamos o que comer. Todas as noites, indiferente ao cansaço, à tosse,às dores nas costas, minha mãe abria o livro ao acaso e me contava uma história, que começava sempre assim: Era uma vez.
Minha mãe teve a capacidade infinita de multiplicar aquelas poucas páginas. Era muito fino o nosso livro, mas durou a melhor parte da minha infância. As histórias eram tristes e engraçadas,
com personagens bons e maus, finais felizes e infelizes. Tinham todas o mesmo cenário: um mundo encantado feito de tijolos sólidos, onde a chuva e o frio não eram monstros prestes a devorar indefesos moradores das casas de papelão. Naquele mundo, a comida vinha de plantas e bichos, não de montanhas de lixo que eu, minha mãe e uma horda de famintos cavoucávamos todos os dias. Nas histórias do livro, meninos não viam suas mães morrerem um pouco a cada dia, até morrerem para sempre, veladas pelos urubus.
Jamais soube o título do livro. Hoje, tenho dúvidas se era mesmo um livro, e não um caderno escolar, talvez em branco, atirado ao lixo por alguém que já não precisava dele. Hoje, desconfio que minha mãe não sabia ler, que ela inventava histórias para me fazer acreditar numa quase ficção: que além das nossas cordilheiras de lixo existia um outro mundo, e que dele eu poderia fazer parte.
Depois que minha mãe morreu, aprendi a ler nos abrigos e prisões para menores infratores onde passei a outra parte da minha infância. Li todos os poucos livros que pude, e eles me mantiveram vivo. Eu aprendia rápido, até que alguém colocou uma grande placa escrita “Pare” na minha frente.
Não pude seguir. Estava no reino dos tijolos sólidos, mas dele não fazia parte – eu era o personagem de carne e osso que os habitantes daquele mundo preferiam que existisse apenas
nos livros. Abandonei os estudos, mas cada carro que eu vigiava representava uma ou duas páginas do livro que compraria num sebo para ler à noite, deitado na minha cama de papelão, sob as marquises do centro da cidade.
Abracei a oportunidade de voltar a estudar como um afogado se agarra a tudo que não seja água. Termino o ProJovem com a promessa de atropelar cada uma das placas de “Pare” que colocarem diante de mim. Prometo escrever histórias, como a da mãe que inventava que lia histórias que ela mesma inventava.
A história de minha mãe começa assim: era uma vez. Quanto à minha própria história, ela começa agora. Neste exato momento em que abro o caderno e passo a escrever o meu destino.
* Mineiro de Aimorés, o escritor e jornalista José Rezende Jr. vive em Brasília. Em 2005 publicou seu primeiro livro, “A Mulher- Gorila e outros demônios” (contos). Você pode ler mais do que ele escreve em www.joserezendejr.jor.br (jornalismo&literatura).