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Conversando com alunos sobre PIERRE BOURDIEU
Disciplina : Tópico especial – estudos culturais
Professor: Dilma Juliano
Josane Fernanda Lisboa Chinkevicz
BOURDIEU, Pierre . O mercado de bens simbólicos in A economia das trocas simbólicas. SP: Perspectiva ,2001.
_________________Espaço social e espaço simbólico in Razões práticas.Sobre a teoria da ação. SP:Papirus,1996.
BOURDIEU
Desenvolveu, ao longo de sua vida, mais de 300 trabalhos abordando a questão da dominação e é, sem dúvida, um dos autores mais lidos, em todo o mundo, nos campos da Antropologia e Sociologia, cuja contribuição alcança as mais variadas áreas do conhecimento humano, discutindo em sua obra temas como educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política. Estudos na Argélia-sociedade Cabila.
TERMOS UTILIZADOS POR BOURDIEU :
Redes de poder /Poder simbólico/Mandantes e mandatários/Campo simbólico/ Habitus /Capital simbólico/Legitimação/Ritos de passagem /Formas de dominação/Violência simbólica/Arbitrariedade da reprodução simbólica/Submeter-se – sofrer pena de exclusão-recém chegados/Formas de reprodução/Topologia dos desvios/Rompimento de padrões .
Se analisarmos o pensamento de Bourdieu veremos que , historicamente , a vida intelectual e artística permaneceu, durante toda a Idade Média e Renascimento, sob a tutela da aristocracia e da Igreja, atendendo às suas demandas éticas e estéticas. O processo de autonomização ( identidade própria na obra )da produção intelectual e artística é correlato à constituição de uma categoria socialmente distinta de artistas ou de intelectuais profissionais, cada vez mais inclinados a levar em conta exclusivamente às regras firmadas pela tradição herdada de seus predecessores – academicismo . Um controle que sempre existiu : a Igreja e suas censuras morais e o poder político usando a arte como propaganda .
Em sua obra A economia das trocas simbólicas , observa Florença do século XV, com a afirmação de uma legitimidade propriamente artística, concede ao artista o direito de legislar com exclusividade em seu próprio campo: o campo da forma e do estilo.( 2011,p.101) O movimento do campo artístico em direção à autonomia ocorreu em ritmos diferentes segundo as sociedades e esferas da vida artística, mas acelerou-se consideravelmente com a Revolução Industrial . As diferentes categorias de produtores destinam seus produtos e cujas condições de possibilidade residem na própria natureza dos bens simbólicos. Estes mesmos bens são concomitantemente valorizados como mercadoria e carregados de significações e tanto o caráter mercantil quanto cultural da obra de arte subsistem relativamente independentes.
No cenário artístico surgem novas concepções: a arte enquanto tal instaura uma dissociação entre a arte como simples mercadoria e a arte como pura significação. (2011, p. 102 e 103 ) Toda essa ideia leva a uma ruptura dos vínculos de dependência dos artistas em relação ao patrão ou a um mecenas, propiciando ao escritor e ao artista uma liberdade que logo se revela formal, sendo apenas a condição de sua submissão às leis do mercado de bens simbólicos. O artista se afasta de seu público, considerando-se gênio autônomo e criador independente. Nessas condições, nasce um público anônimo de “burgueses” em conjunto com a aparição de métodos e técnicas tomadas de empréstimo à ordem econômica e ligados à comercialização da arte - o artista se afasta tanto do povo quanto do burguês.( 2011, p.104 )
Surgem 2 espaços : o campo de produção erudita e o campo da indústria cultural. A diferença básica entre os dois modos de produção se refere a quem se destinam os bens culturais produzidos. Assim, o campo de produção erudita destina a produção de seus bens a um público de produtores de bens culturais, enquanto o campo da indústria cultural os destina aos não-produtores de bens culturais, ou seja, a população em geral.
Em Ecomomia das Trocas Simbólicas observa que na produção erudita o artista tende a produzir ele mesmo suas normas de produção e os critérios de avaliação de seus produtos, e obedece à lei fundamental da concorrência pelo reconhecimento propriamente cultural ,constituindo-se, assim, “sociedades de admiração mútua”, uma relação de solidariedade entre o artista e o crítico.
Termos de Weber - ao monopólio da manipulação legítima de uma classe determinada de bens simbólicos,, isto é, busca dos temas, técnicas e estilos dotados de valor. Deste modo, é a própria lei do campo, que envolve os intelectuais e os artistas na dialética da distinção cultural, que impõe os limites no interior- do que é belo , do que segue ao padrão. Weber faz um paralelo com o campo religioso, ao entender que a estrutura do campo religioso organiza-se em torno da oposição entre o profeta e o sacerdote (além das oposições secundárias entre profeta, o feiticeiro e o sacerdote).( 2001,p. 108 e 119 )
As obras produzidas pelo campo de produção erudita são obras “puras", “abstratas” e esotéricas.
Por tais características, as obras do campo de produção erudita são acessíveis a um público reduzido e a sua recepção depende do nível de instrução dos receptores - código refinado . Já a recepção dos produtos no sistema da indústria cultural é relativamente independente do nível de instrução dos receptores.Para a compreensão do funcionamento e as funções sociais do campo de produção erudita é preciso analisar as relações existentes com as instâncias de conservação do capital de bens simbólicos (museus) e com as instâncias de reprodução.
O sistema de ensino, reforça essa redes de poder para assegurar a reprodução do sistema dos esquemas de ação, de expressão, de concepção, de imaginação, de percepção e de apreciação social, impõe a cultura produzida, e também reforça a formação de agentes capazes de reproduzi-la e renová-la.( p. 118, 119 e 120)
Desta forma o sistema de ensino, enquanto instância de conservação e consagração cultural, cumpre inevitavelmente uma função de legitimação cultural ao converter em cultura legítima, exclusivamente através do efeito de dissimulação. Pois ali existe um ato de imposição , arbitrário, que reproduz que reforça as obras legítimas e as ilegítimas e, ao mesmo tempo, entre a maneira legítima e a ilegítima de abordar as obras legítimas – reforçando assim a cultura dominante .( p.120 e 121)
Assim este sistema de ensino de conservação e consagração cultural cumpre, no interior do sistema de produção e circulação dos bens simbólicos, uma função homóloga à da Igreja. Ele está como instância de consagração, mas devem reconhecer que estão submetidos à autoridade institucional do sistema e é este que lhes dará a consagração final.
Assim, inúmeras características da Academia Francesa derivam do fato de que ela delega com mais facilidade a função de conservação cultural, de que foi investida, aos produtores mais inclinados e mais aptos a responder à demanda das frações dominantes das classes dominantes, tendendo a consagrar muito mais os autores e as obras que este setor do público lhe aponta do que aqueles consagrados pelas instâncias próprias ao campo de produção erudita.( p. 121, 122 e 123)
Vejamos : quando interrogados a respeito de seus gostos em música, a maioria dos operários situa-se espontaneamente no campo da “grande música” e, com isso, declaram de modo implícito que seu consumo de canções não merece ser mencionado. A medida que nos aproximamos das classes médias, os indivíduos procuram citar dentre seu consumo e seus conhecimentos os que lhes parecem mais ajustados à definição legítima da música (citações de Wal-Berg, Franck Purcell, as Valsas Vienenses, o Bolero de Ravel ou os grandes nomes próprios, como Chopin ou Beethoven).( p. 132,179-181 )
Assim, a arte média só pode renovar suas técnicas e sua temática tomando de empréstimo à cultura erudita e, ainda mais à “arte burguesa”, os procedimentos mais divulgados dentre aqueles usados há uma ou duas gerações passadas, e “adaptando” os temas e os assuntos mais consagrados ou os mais fáceis de serem reestruturados segundo as leis tradicionais de composição das artes populares (por exemplo, a divisão maniqueísta de papéis).( p 136, 137 e 138 )
Estamos no dualismo na oposição entre o legítimo e o ilegítimo – que se impõe no campo dos bens simbólicos com a mesma necessidade arbitrária com que, em outros campos, impõe-se a distinção entre o sagrado e o profano -, recobre a oposição entre dois modos de produção: de um lado, o modo de produção característico de um campo de produção que fornece a si mesmo seu próprio mercado e que depende, para sua reprodução, de um sistema de ensino que opera reforçando esta legitimação; de outro, o modo de produção característico de um campo de produção que se organiza em relação a uma demanda externa ( público ), social e culturalmente inferior. (p.176-178)
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