ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
A alfabetização é a aquisição do código da escrita e da leitura, a codificação através da escrita e decodificação através da leitura; em suma, em seu sentido mais restrito, alfabetizar-se é aprender a ler e a escrever.
O termo letramento é o uso das práticas sociais da leitura e da escrita e difundiu-se rapidamente no meio acadêmico; porém, anteriormente, transitou pela mídia e nas escolas na tentativa de produzir algum sentido para além do termo alfabetização, que já não era suficiente para explicar o processo de aquisição do código escrito.
Logo, alfabetização e letramento são processos distintos, embora possam e devam caminhar simultaneamente. Segundo entendimento de Soares (2002): “a questão é alfabetizar letrando, ensinar a criança a ler e escrever por meio das práticas sociais de leitura e escrita”.
Nas escolas pesquisadas, ora o trabalho pedagógico era pautado nos conceitos de alfabetização, restringindo-a em codificação e decodificação do código escrito; ora era balizado no conceito de letramento, propondo atividades de usos sociais do código escrito.
Na tentativa de classificar as atividades ministradas nas salas de aula e nas salas de reforço escolar para os alunos com dificuldades de aprendizagem no processo de aquisição da língua escrita, em atividades de alfabetização e atividades de letramento, tomamos como referência Soares (2004) que divide atividades de ensino da língua escrita no Brasil, anterior e posterior aos anos 80.
Segundo a autora “...até os anos 80, o objetivo maior era a alfabetização (...), isto é, enfatizava-se fundamentalmente a aprendizagem do sistema convencional da escrita.”
Soares (2004) continua dizendo que a partir dos anos 80 o “‘construtivismo’ trouxe uma significativa mudança de pressupostos e objetivos na área da alfabetização, porque alterou fundamentalmente a concepção do processo de aprendizagem e apagou a distinção entre aprendizagem do sistema de escrita e práticas efetivas de leitura e de escrita.”. A autora está se referindo ao conceito de letramento.
Porém nos alerta que tanto a alfabetização quanto o letramento estão sendo utilizados separadamente, desvinculados um do outro. O objetivo maior é relacioná-los como processos distintos, porém indissociáveis. existe uma interação com o material escrito, lendo e escrevendo diferentes gêneros em variados suportes, para diferentes interlocutores, isto é, uma preocupação com os usos sociais da leitura e da escrita.
Logo, alfabetização e letramento apresentam objetos de conhecimento distintos e, por conseguinte, os processos cognitivos de cada um se tornam diferentes. Alfabetização e letramento são processos que devem ser indissociáveis, como já dito anteriormente.
A alfabetização deve ocorrer em meio à utilização de variados suportes e gêneros de escrita, assim como para diversos interlocutores, ou seja, o aluno deve apropriar-se do código escrito mantendo-se em constante contato com ele em práticas reais do dia-a-dia.
http://www.anped.org.br/reunioes/27/gt10/p101.pdf
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